Vulnerabilidades na tecnologia inovadora e legacy ameaçam setor industrial

A crescente digitalização das indústrias e a incorporação de tecnologias inovadoras como inteligência artificial, machine learning e computação quântica têm impulsionado a eficiência operacional, mas também exposto as empresas a novos riscos de cibersegurança.
24 de Fevereiro, 2025

A crescente digitalização das indústrias e a incorporação de tecnologias inovadoras como inteligência artificial, machine learning e computação quântica têm impulsionado a eficiência operacional, mas também exposto as empresas a novos riscos de cibersegurança.

O mais recente relatório da Equipa de Resposta a Emergências de Cibersegurança dos Sistemas de Controlo Industrial da Kaspersky (ICS CERT) alerta para desafios significativos que o setor industrial enfrentará em 2025. Entre as ameaças emergentes, destacam-se a vulnerabilidade da tecnologia inovadora e legacy, bem como os riscos associados à escolha de fornecedores e às tensões geopolíticas.

Roubo de tecnologia inovadora: um risco crescente

A rápida adoção de novas tecnologias pelas empresas industriais torna-as alvos altamente atrativos para cibercriminosos. O relatório da Kaspersky sublinha que a sofisticação dos ataques não se limita apenas às infraestruturas tradicionais, mas também visa instituições de investigação e empresas líderes em inovação. A perda de propriedade intelectual não só enfraquece a competitividade das empresas visadas, como também ameaça a soberania tecnológica dos países. O “chão de fábrica” e as cadeias de abastecimento emergem como pontos fracos críticos, onde dados sensíveis podem ser comprometidos com maior facilidade.

Impacto das tensões geopolíticas e sanções na cibersegurança

As tensões comerciais e as sanções impostas a determinados países têm levado a um aumento da pirataria de software e à proliferação de soluções alternativas para contornar restrições legais. Este cenário cria novos desafios para os fornecedores de tecnologia operacional (TO), cujas salvaguardas podem ser contornadas por soluções improvisadas que introduzem vulnerabilidades adicionais. A utilização de patches de terceiros e software não autorizado amplia significativamente os riscos de segurança, tornando as infraestruturas industriais ainda mais suscetíveis a ataques.

Adoção de novas tecnologias: oportunidades e ameaças

A crescente implementação de IA e machine learning na otimização de processos industriais tem gerado ganhos financeiros expressivos. No entanto, estes sistemas representam novos vetores de ataque. A manipulação maliciosa de modelos de IA pode levar a falhas operacionais severas, perdas de dados e degradação da eficiência produtiva. Além disso, os próprios cibercriminosos estão a explorar a IA para melhorar as suas táticas de engenharia social e desenvolver ferramentas maliciosas mais eficazes. A necessidade de proteção reforçada destas novas infraestruturas é, por isso, imperativa.

Tecnologias legacy: uma porta aberta para ataques

Enquanto a inovação representa um desafio, as tecnologias testadas pelo tempo, como os dispositivos IoT industriais e equipamentos de telecomunicações antigos, também se revelam um alvo fácil para os atacantes. Muitos destes sistemas operam com medidas de segurança desatualizadas e carecem de proteção adequada contra ameaças contemporâneas. A proliferação do uso de Linux em ambientes de tecnologia operacional agrava o problema, já que há menos especialistas de cibersegurança qualificados para lidar com vulnerabilidades específicas deste sistema. Para mitigar estes riscos, as empresas devem reavaliar periodicamente as suas infraestruturas de TI e atualizar as medidas de proteção para os seus sistemas legacy.

A importância de uma escolha criteriosa dos fornecedores

Outro fator crítico identificado pelo relatório da Kaspersky é a fragilidade da cadeia de abastecimento. Muitos fornecedores de equipamentos industriais não investem adequadamente em cibersegurança, expondo os seus clientes a riscos significativos. Além disso, as empresas industriais frequentemente recorrem a soluções de automação personalizadas desenvolvidas internamente ou por filiais que não possuem medidas de segurança robustas. O resultado é um ecossistema fragmentado e vulnerável, no qual qualquer elo fraco pode comprometer toda a rede operacional.

Segurança por obscuridade: uma estratégia obsoleta

Em 2025, confiar na segurança por obscuridade não será suficiente para proteger infraestruturas críticas. O acesso crescente a ferramentas de código aberto para automação industrial facilita o desenvolvimento de ataques sofisticados contra ativos de produção essenciais. Empresas que não investirem na melhoria contínua das suas defesas estarão mais suscetíveis a ataques que podem comprometer a continuidade operacional. O reforço das políticas de cibersegurança, incluindo formação contínua das equipas e avaliações rigorosas dos fornecedores, será essencial para mitigar os riscos emergentes.

O futuro da cibersegurança industrial

O relatório da Kaspersky sublinha que os cibercriminosos estão a expandir o seu alcance, explorando não apenas as redes empresariais, mas também a infraestrutura operacional e os parceiros estratégicos das indústrias. Diante deste panorama, as empresas devem adotar uma abordagem proativa e holística para a cibersegurança, incorporando medidas preventivas robustas, garantindo a segurança da cadeia de abastecimento e promovendo uma cultura organizacional voltada para a resiliência digital.

Num mundo onde a tecnologia é essencial para a competitividade industrial, negligenciar a cibersegurança já não é uma opção viável. O setor deve encarar estas ameaças com seriedade e implementar estratégias eficazes para proteger os seus ativos mais valiosos. Caso contrário, o custo da inação poderá revelar-se demasiado elevado para a indústria global.

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