A Startup Portugal assinalou dez anos de atividade com um manifesto que define as prioridades para a próxima década. O documento coloca o crescimento económico no centro da estratégia e estabelece como objetivo fazer chegar a contribuição das startups para 5% do PIB português até 2036. A organização pretende também reforçar a participação de Portugal na definição das políticas europeias para o empreendedorismo e criar condições para acolher no país um evento internacional de referência.
Apresentado em Lisboa, no Clube Ferroviário, o manifesto resulta de uma década de trabalho com empreendedores, investidores, incubadoras, universidades, empresas e entidades públicas. Mais do que assinalar uma data, o documento procura definir uma nova fase para um ecossistema que, segundo os dados apresentados pela organização, já ultrapassa as cinco mil startups ativas.
Portugal conta atualmente com 5.091 startups, que geram 2.856 milhões de euros em receitas e representam cerca de 1% do PIB nacional. Estas empresas são responsáveis por mais de 28 mil postos de trabalho, com salários 81% acima da média nacional, e geram 1.571 milhões de euros em exportações.
A distância entre os cerca de 1% atuais e a meta de 5% prevista para 2036 dá uma dimensão concreta à ambição inscrita no manifesto. Para a atingir, a Startup Portugal aponta para o aumento do número de empresas, mas também para a criação de condições que permitam às empresas existentes crescer, internacionalizar-se e permanecer em Portugal.
A estratégia passa por reforçar a articulação entre os diferentes intervenientes do ecossistema, melhorar as condições para investidores e reconhecer o papel das incubadoras na criação e expansão de empresas. O manifesto inclui ainda objetivos relacionados com igualdade de oportunidades, empreendedorismo social e reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas startups portuguesas.
Criada em 2016, no contexto da Estratégia Nacional para o Empreendedorismo e no ano em que a Web Summit se realizou pela primeira vez em Portugal, a Startup Portugal acompanhou a evolução do ecossistema através de programas de apoio, iniciativas de internacionalização e instrumentos destinados a aproximar empreendedores, investidores, incubadoras, empresas e entidades públicas.
Um dos marcos apontados pela organização é a aprovação da Lei das Startups, em 2023. O novo enquadramento criou uma definição legal de startup na União Europeia e introduziu alterações ao regime fiscal aplicável às stock options.
Mais recentemente, a Startup Portugal lançou o Tech Foundry Portugal, na edição dedicada a Deep Tech, dirigido a equipas científicas e tecnológicas que procuram transformar conhecimento e investigação em empresas de base tecnológica.
A evolução do ecossistema também se mede pela dimensão da rede de incubadoras, que hoje se estende por todo o território nacional e apoia a criação, aceleração e internacionalização de projetos empresariais.
A internacionalização é outra das dimensões do percurso dos últimos dez anos. Mais de 320 empresas participaram em eventos internacionais através do programa Business Abroad, enquanto mais de mil startups receberam apoio através do Road 2 Web Summit.
O percurso inclui ainda 808 projetos empreendedores apoiados pelo Startup Voucher e pelos Vales de Incubação, através de um investimento superior a 31,4 milhões de euros.
O ecossistema ganhou entretanto empresas com escala internacional. A Startup Portugal contabiliza oito unicórnios com ADN português, enquanto o número de empresas, investidores e estruturas de apoio cresceu ao longo da última década.
Esse crescimento também se refletiu nos eventos. Em 2026, a terceira edição da SIM Conference reuniu mais de 4.000 participantes e stakeholders do empreendedorismo português, incluindo mais de uma centena de startups nacionais e mais de 270 investidores.
A próxima década parte, assim, de uma realidade diferente daquela que existia quando a Startup Portugal foi criada. A questão colocada pelo novo manifesto já não é apenas quantas startups Portugal consegue criar, mas quanto valor económico estas empresas conseguem gerar e reter no país.
É neste ponto que se concentra a meta para 2036: elevar de cerca de 1% para 5% a contribuição das startups para o PIB português, reforçar a capacidade de internacionalização das empresas e aumentar o peso do empreendedorismo na economia nacional.







