Segundo Molyneux, esta mudança não é apenas perceção. Reflete uma tendência clara no mercado. As previsões da Gartner, que apontam para um aumento significativo de violações de dados associados ao uso inadequado de IA generativa além-fronteiras, são um sinal de alerta. O mesmo acontece com a visão da IDC, que antecipa a generalização de documentação detalhada sobre a origem dos dados e o consentimento associado. Para as organizações, isto significa que a privacidade deixa de ser uma declaração de princípios e passa a ser um conjunto de evidências auditáveis.
Na Europa, recorda, essa exigência é reforçada pelo enquadramento regulatório. Regulamentos como o RGPD, a NIS2 ou a DORA obrigam a demonstrar, e não apenas a afirmar, que existem medidas técnicas e organizativas adequadas. Isso inclui saber quem acede a sistemas críticos, com que permissões, e garantir uma separação clara e monitorizada das contas privilegiadas. Para Molyneux, a mensagem dos reguladores é inequívoca: políticas escritas são importantes, mas a capacidade operacional é decisiva.
É aqui que a conversa deriva naturalmente para a relação entre privacidade e resiliência. Na perspetiva do Field CTO da Commvault, quando estão em causa dados pessoais, qualquer incidente se transforma num evento de confiança. O impacto já não é apenas técnico ou financeiro; é reputacional. As organizações são avaliadas pela forma como respondem, pela rapidez da contenção e pela clareza com que explicam o que aconteceu e como recuperaram.
Questionado sobre como operacionalizar esta abordagem, Molyneux defende a definição prévia de prioridades críticas. Nem todos os dados e sistemas têm o mesmo peso quando há pressão para recuperar. Identificar antecipadamente o que deve ser protegido e restaurado primeiro faz a diferença entre uma resposta controlada e uma reação improvisada. Planos existem em muitas organizações, mas sem testes regulares e sem direitos de decisão claros, raramente resistem a um cenário real.
A identidade surge como um dos pontos mais sensíveis desta equação. Em ambientes cloud, explica, as credenciais comprometidas continuam a ser uma das vias mais rápidas para chegar a dados sensíveis. A resiliência passa por detetar acessos anómalos o mais cedo possível, limitar o alcance do ataque e garantir que a recuperação não reintroduz vulnerabilidades.
Daí a importância da chamada recuperação limpa. Para Molyneux, restaurar sistemas sem validar a sua integridade, sobretudo após ataques de ransomware ou incidentes baseados em identidade, é um risco elevado. As organizações mais preparadas dão prioridade ao isolamento, à análise forense e à verificação rigorosa antes de repor serviços críticos, reduzindo a probabilidade de reinfeção, corrupção de dados ou nova exposição.
A conversa termina com um regresso ao ponto de partida. O Dia da Privacidade dos Dados é, para o responsável da Commvault, um bom pretexto para testar a maturidade real das organizações. Se um incidente acontecesse amanhã, seria possível conter o impacto, recuperar de forma limpa e demonstrar controlo com confiança? Para quem trata a recuperação como parte integrante da privacidade, a resposta tende a ser mais clara, tanto para os reguladores como para clientes e parceiros.







