Novo corredor atlântico desenha o mapa da conectividade entre Lisboa e São Paulo

A celebração de uma carta de intenções entre a DE-CIX e a Cabo Verde Telecom abre caminho à criação de uma rota direta de dados no Atlântico Sul, desenhada para encurtar caminhos digitais e diversificar as vias de tráfego face aos eixos tradicionais do Norte.
29 de Setembro, 2026

A geografia das telecomunicações globais assenta historicamente em caminhos consolidados que concentram a passagem dos fluxos de dados no Norte da Europa e na América do Norte. A DE-CIX e a Cabo Verde Telecom assinaram uma carta de intenções para explorar um corredor de interligação no Atlântico Sul ligando Lisboa a São Paulo. Esta iniciativa procura estabelecer um trajeto alternativo capaz de aproximar as redes do Sul da Europa, da África Ocidental e da América Latina, permitindo que a troca de tráfego ocorra de forma mais direta e sem a necessidade de desvios pelos centros do Hemisfério Norte.

Para os responsáveis pela arquitetura de sistemas e compras tecnológicas, a diversificação dos canais de tráfego traduz-se em resiliência operacional e ganhos no desempenho da transmissão de dados. Ao evitar os pontos habituais de concentração, este corredor pretende assegurar uma infraestrutura distribuída com maior capacidade de resposta para operadoras de rede, fornecedores de computação em nuvem, produtores de conteúdos e organizações com presença distribuída entre os três continentes. A posição geográfica de Cabo Verde, situada no cruzamento destas rotas internacionais, funciona como elemento central para viabilizar a arquitetura planeada.

No plano prático, o entendimento prevê um mecanismo de cedência mútua de recursos tecnológicos e capacidade. A Cabo Verde Telecom tenciona disponibilizar capacidade de transporte entre Lisboa e São Paulo enquanto a DE-CIX prevê conceder acesso aos seus pontos de interligação em cidades europeias e americanas. Através deste modelo recíproco, a operadora cabo-verdiana passará a aceder a nós de interligação localizados em Frankfurt, Madrid, Marselha, Nova Iorque e São Paulo, ao passo que a entidade gestora dos pontos de troca assegura capacidade dedicada no trânsito transatlântico.

A concretização destas intenções permanece dependente da celebração de um contrato final. O instrumento formal agora subscrito possui natureza preliminar e não vinculativa, cabendo às duas entidades detalhar o desenho técnico, o perímetro exato dos serviços e os parâmetros comerciais definitivos nas próximas fases de negociação. Se vier a ser consumada, a operação poderá funcionar como um polo de atração de novos investimentos em tecnologia e infraestruturas, reforçando a relevância do corredor sul na economia digital internacional.

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