A Accenture e a Google Cloud criaram o Accenture Gemini Enterprise Business Group, uma nova unidade dedicada a acelerar a adoção empresarial de agentes de inteligência artificial. A iniciativa prevê uma equipa de mil engenheiros especializados em implementação avançada, apoiada pelos cerca de 50 mil profissionais da Accenture com competências em tecnologias cloud da Google.
O objetivo é claro: reduzir a distância entre os projetos-piloto de IA e a sua utilização em larga escala. O novo grupo irá desenvolver aceleradores, frameworks e soluções específicas por indústria, procurando diminuir os tempos de implementação e transformar experiências com agentes de IA em sistemas integrados nos processos das empresas.
Para os CIO, esta mudança é relevante porque a adoção de agentes de IA está a deixar de ser apenas uma decisão sobre software. Estes sistemas precisam de acesso a dados, aplicações, identidades, permissões e processos internos. Quanto maior for a integração, mais complexa se torna a arquitetura tecnológica — e mais difícil pode ser substituir posteriormente o fornecedor que suporta essa infraestrutura.
É aqui que a parceria entre a Accenture e a Google Cloud ganha uma segunda dimensão. A combinação entre consultoria, cloud, modelos Gemini e ferramentas de desenvolvimento pode acelerar projetos, mas também concentra várias camadas tecnológicas dentro do mesmo ecossistema. A velocidade de implementação pode, assim, vir acompanhada por maior dependência tecnológica, tornando questões como interoperabilidade, portabilidade de dados, custos de saída e integração com outras clouds ainda mais relevantes nas decisões de compra.
A Google Cloud e a Accenture defendem que os agentes podem gerar ganhos de produtividade e melhorar a experiência dos utilizadores. Um dos exemplos apresentados é a implementação de um agente de IA no YouTube durante um período de elevada procura associado a transmissões desportivas nos Estados Unidos, que terá permitido aumentar a satisfação dos clientes em 11% e reduzir o tempo de atendimento em 37%.
A tendência, porém, vai além de um único projeto. À medida que os agentes começam a executar tarefas, consultar sistemas e tomar decisões dentro das empresas, a escolha da plataforma de IA aproxima-se cada vez mais de uma decisão de infraestrutura. Para os CIOs, isso significa avaliar não apenas o que a tecnologia consegue fazer hoje, mas também quanto poderá custar mudar de fornecedor amanhã.







