Maturidade digital: em 48% dos departamentos de RH os processos manuais são a regra

A melhoria da experiência dos colaboradores, a reconversão profissional e a mobilidade interna, bem como o desenvolvimento de uma estratégia de RH, são as três principais prioridades que mais preocupam os líderes de RH.
26 de Fevereiro, 2024

Cerca de metade das organizações ainda realiza a maior parte dos seus processos de Recursos Humanos de forma manual. E só cerca de um terço tem as suas soluções de RH integradas. Estas são duas das principais conclusões do novo estudo da IDC, 2024 HR Maturity Index: The Yardstick for HR Transformation, patrocinado pela Cegid que visa fornecer aos líderes de RH um índice anual que lhes permita obter uma nova perspetiva sobre o posicionamento atual das suas organizações e orientá-los na criação de uma estratégia de RH otimizada e alinhada com os seus objetivos de negócio

O estudo tem por base inquéritos realizados a nível mundial (17 países da Europa, América Latina e América do Norte), a 740 profissionais de RH de nível de direção ou superior, de empresas com mais de 500 colaboradores e de todos os setores de atividade. À escala global, o estudo destaca que, enquanto as organizações da América Latina enfrentam desafios operacionais, nas do Canadá e da Europa as cargas de trabalho transacionais dos RH estão mais digitalizadas e automatizadas. Este avanço do Canadá na área dos RH deve-se, em parte, à sua proximidade com os Estados Unidos, uma referência em termos de inovação nas práticas de RH.

O estudo da IDC retrata a realidade dos departamentos de RH das grandes empresas: os seus desafios, oportunidades e necessidades. Para 42% dos entrevistados, a melhoria da experiência dos colaboradores é a sua principal prioridade, enquanto para 39% é a formação e o desenvolvimento de carreira dos colaboradores. Por outro lado, 32% afirmam que estão focados em desenvolver uma estratégia de RH.

Grande margem de melhoria na automatização dos processos

A tecnologia é, em simultâneo, uma lacuna e uma promessa para o futuro da gestão de pessoas, revela o estudo. Perante a pergunta: «Numa frase, como vê o futuro dos RH?», a maioria dos entrevistados associa o seu futuro à tecnologia e a um grande foco no colaborador. 

Os inquiridos acreditam que a IA Generativa irá desempenhar um papel muito importante nos RH. E de facto, grande parte dos processos desta área é repetitiva e pode ser automatizada, desde a publicação de ofertas de emprego e seleção de CVs até ao controlo de assiduidade e ao processamento de salários. No entanto, apenas 52% das organizações automatizou metade ou mais destas tarefas. E só 22% dos entrevistados conta com a maioria dos processos automatizados. 

«A presença da tecnologia no domínio da gestão de pessoas é indispensável aos líderes de RH, especialmente nas grandes organizações. No entanto, estamos conscientes de que alguns ainda não conhecem as vantagens em matéria de desempenho operacional e financeiro da adoção de tecnologia, em especial de soluções de automatização», considera Josep María Raventós, Diretor Executivo de SMB & CPA da Cegid em Portugal e África. «Automatizar as tarefas mais rotineiras liberta tempo aos profissionais para as de maior valor acrescentado, como criar e implementar uma experiência diferenciadora para os colaboradores. A juntar a isto, a tecnologia permite recolher dados e ter uma visão global, em tempo real, do desempenho da organização. O resultado será a base de melhores processos de decisão, mais ágeis, e da implementação de medidas que atraiam e retenham a talento. E é com talento que se obtêm resultados efetivos», conclui

A integração entre os processos de RH apresenta números preocupantes: 32% dos inquiridos afirma que apenas algumas das suas aplicações de gestão de pessoas estão integradas e estas são específicas para determinadas funções. Apenas 13% dos profissionais de RH conta com integração total. 

De um modo geral, o estudo evidencia que existe uma correlação direta entre o nível de digitalização e o crescimento dos lucros das empresas: 44% das organizações que estão na vanguarda dos processos de digitalização obtiveram resultados positivos nos últimos 12 meses.

Colaboração, Estratégia e Tecnologia: Três pilares fundamentais para os departamentos de RH

Numa visão macro do estudo, para além da tecnologia, são observadas duas outras áreas de melhoria: colaboração e estratégia. Relativamente à colaboração, verificou-se que 39% dos profissionais de RH ainda trabalha sem qualquer ligação com outros departamentos da empresa. Por outro lado, 28% colabora de forma muito ocasional. Atualmente, as tarefas em que estão mais envolvidos estão ligadas à comunicação interna, gestão da mudança, employer branding ou diversidade e inclusão.

No que respeita à estratégia de RH, a maioria tem um sólido historial em termos de políticas de diversidade, inclusão ou experiência dos colaboradores. No entanto, o estudo salienta a falta de competências analíticas e de reporting, com 56% dos entrevistados a afirmarem que demoram vários dias a elaborar qualquer tipo de relatório.

Um modelo de maturidade de RH, como o apresentado neste estudo, pode determinar com precisão o progresso de uma determinada organização no seu percurso de RH e indicar quais devem ser os próximos passos. Este relatório é uma excelente ferramenta para os líderes de RH compreenderem o estado atual das suas empresas, identificarem os seus próximos desafios e tirarem partido do potencial tecnológico para digitalizarem os seus processos de RH, uma vez que os colaboradores são, sem dúvida, a alma e o principal fator diferenciador das organizações.