Maioria das empresas adotará redes geridas por agentes dentro de um ano

As organizações estão a substituir a gestão tradicional de infraestruturas por modelos operacionais baseados em IA, capazes de tomar decisões e agir em tempo real sob supervisão transparente.
1 de Outubro, 2026

As organizações enfrentam atualmente uma crescente complexidade na gestão das suas infraestruturas tecnológicas, um cenário onde o volume diário de notificações ronda os 4.100 alertas em média, dos quais mais de metade correspondem exclusivamente à área de redes. Tratar manualmente este volume de incidentes exigiria um quadro de pessoal de cerca de uma centena de especialistas, o que faz com que quase metade dos alertas seja descartada sem análise prévia e que uma proporção semelhante do tempo de investigação seja consumida em falsos positivos. Perante esta pressão operacional, uma esmagadora maioria das empresas reconhece que as suas ferramentas atuais de IA aplicada a operações de TI, que não se baseiam em agentes autónomos, se revelam insuficientes. A principal dificuldade reside no facto de os problemas de desempenho tenderem a afetar múltiplas áreas em simultâneo, exigindo a utilização conjunta de uma dezena de ferramentas distintas para a sua resolução, o que torna obsoletos os processos habituais de adaptação.

A este desafio de gestão soma-se o impacto que a própria adoção da IA está a ter sobre a infraestrutura de conectividade. As análises telemétricas recentes indicam que o tráfego de dados resultante destas tecnologias tende a duplicar a cada semestre. Adicionalmente, os testes técnicos evidenciam que as tarefas executadas por sistemas autónomos podem chegar a quadruplicar o volume total de informação a circular pelas redes, por operarem à velocidade do software e gerarem padrões imprevisíveis.

Para responder a estas exigências operacionais, a adoção da IA nas operações de rede marca uma transição de um modelo puramente consultivo para a implementação de operações orientadas por agentes, conhecidas no setor como operações agênticas. Atualmente, mais de metade das organizações já recorre a sistemas com agentes que assumem responsabilidades diretas, executando alterações em ambientes de produção sem exigir a validação prévia de um supervisor humano. Entre as ações efetuadas de forma autónoma contam-se o desvio de tráfego, o ajuste de parâmetros de ligações sem fios, o isolamento de dispositivos suspeitos e a resolução integral de incidentes.

A viabilidade e projeção desta tendência foram quantificadas num estudo independente recente realizado pela consultora Omdia, que auscultou um milhar de responsáveis de tecnologia e redes de empresas com mais de 500 colaboradores situadas na América do Norte, Europa Ocidental e na região Ásia-Pacífico. Os dados recolhidos revelam que mais de 80% dos executivos inquiridos prevê consolidar um modelo organizacional conduzido por IA no prazo de um ano. Da mesma forma, existe uma ampla disponibilidade para conceder a estes agentes um grau elevado de autonomia, ao ponto de um quarto das empresas se mostrar favorável a permitir um funcionamento totalmente autónomo e isento de supervisão humana.

Joe Vaccaro, Vice-Presidente Sénior e Diretor-Geral de Plataforma de Rede na Cisco, afirma: “A IA agêntica representa uma mudança de paradigma fundamental: passar de executar operações a orquestrar a intenção. A IA agêntica para NetOps exige uma confiança baseada na visibilidade de cada decisão, um contexto explicável por trás de cada recomendação e salvaguardas que ofereçam resultados deterministas. As organizações que consigam este equilíbrio manterão as equipas de gestão no comando, permitindo simultaneamente que os sistemas baseados em IA agêntica ajam com segurança, validem os resultados e demonstrem continuamente a fiabilidade operacional.”

Por sua vez, Jim Frey, Analista Principal de Operações de Rede e TI na Omdia, destaca: “O dado mais expressivo não é simplesmente o crescimento da adoção da IA em NetOps, mas sim a rapidez com que as organizações se estão a preparar para operações impulsionadas por IA. Os resultados apontam para uma transição mais alargada, do modelo consultivo de AIOps para operações impulsionadas por agentes — as AgenticOps —, com capacidade de tomar medidas concretas. À medida que essa transição acelerar, a visibilidade integrada, uma governação sólida e resultados mensuráveis serão determinantes para expandir a autonomia sem perder o controlo operacional.”

Contudo, a expansão deste modelo de operações agênticas está estritamente condicionada à capacidade de salvaguardar o controlo e a transparência mediante plataformas integradas que forneçam explicações detalhadas sobre as decisões tomadas automaticamente.

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