A Lispolis abriu as candidaturas para a quarta edição do Lispolis Ignite, o seu programa de aceleração de startups, que este ano volta a colocar a saúde digital no centro da estratégia. As candidaturas decorrem até 2 de outubro e serão selecionados entre 10 e 15 projetos em fase inicial ou de crescimento.
O universo é deliberadamente amplo. O programa admite soluções ligadas a tecnologias médicas, inteligência artificial, envelhecimento, saúde mental e biotecnologia, entre outras áreas onde a tecnologia está a entrar nos processos clínicos, na prevenção ou na gestão da saúde. Mais do que procurar uma tecnologia específica, o Ignite tenta aproximar projetos ainda jovens das condições necessárias para transformar uma ideia num negócio capaz de crescer.
Entre 14 e 23 de outubro, as startups passam por seis dias de formação presencial e online, cobrindo áreas que vão dos novos modelos de negócio às tecnologias emergentes na saúde, investimento, marketing, oportunidades europeias, regulação e comunicação. O programa inclui ainda speed mentoring, duas visitas técnicas e contacto com antigos participantes. A edição termina a 29 de outubro com um Demo Day perante investidores, universidades, empresas e outras organizações do ecossistema.
A dimensão dos prémios é relativamente pequena face às necessidades de financiamento habituais de uma startup tecnológica. Estão previstos dois prémios de 2 mil euros, além de um ano de incubação gratuita na Lispolis para os quatro finalistas. O principal ativo do programa está, por isso, menos no capital atribuído e mais no acesso a mentores, potenciais parceiros, investidores e organizações capazes de ajudar a validar uma solução no mercado.
Essa lógica ganha particular relevância na saúde, onde desenvolver tecnologia é apenas uma parte do problema. Uma startup tem também de compreender regulação, modelos de financiamento, necessidades das organizações e condições de entrada num setor onde os ciclos de adoção podem ser longos. A presença desses temas no programa mostra uma tentativa de aproximar a aceleração tecnológica da realidade comercial e regulatória que estas empresas terão de enfrentar.
Desde 2024, o Lispolis Ignite passou por três edições dedicadas à sustentabilidade, energia e saúde, envolvendo 44 startups, 48 mentores e 19 formadores. Alguns dos projetos que passaram pelo programa conseguiram posteriormente financiamento, distinções internacionais ou presença em competições fora de Portugal. Entre os exemplos apresentados pela organização estão Animob, Lampsy Health, FlashGuard e Flash Diagnostics.
Para o ecossistema português de saúde digital, programas deste tipo funcionam sobretudo como uma ponte entre inovação e mercado. O desafio já não é apenas criar tecnologia para a saúde, mas conseguir demonstrar que essa tecnologia pode ser utilizada, financiada e integrada num setor altamente regulado. É nesse espaço, entre o protótipo e a adoção, que a nova edição do Lispolis Ignite procura posicionar-se.







