Tomar decisões sobre uma cidade implica trabalhar com sistemas que raramente funcionam de forma isolada. Uma alteração na mobilidade pode influenciar a qualidade do ar; mudanças na circulação podem produzir efeitos ambientais distintos em diferentes zonas; e as condições climáticas podem aumentar ou reduzir impactos sobre quem vive e trabalha nesses territórios.
É precisamente neste espaço, entre os dados disponíveis e as consequências difíceis de antecipar, que se posiciona o NexTCity. Coordenado pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), o projeto europeu está a desenvolver uma réplica digital dinâmica da Zona de Emissões Reduzidas de Lisboa destinada a apoiar políticas relacionadas com o clima e a gestão urbana.
O objetivo é permitir que diferentes medidas sejam testadas digitalmente antes de chegarem à cidade real, avaliando antecipadamente os possíveis efeitos sobre a qualidade do ar, as ilhas de calor urbano e a saúde da população.
Um Gémeo Digital não é apenas uma representação gráfica de um território. Neste caso, a plataforma deverá integrar e cruzar informação proveniente de diferentes áreas, permitindo visualizar o funcionamento da zona analisada em tempo real e construir cenários alternativos a partir dos dados recolhidos.
Na prática, a tecnologia procura introduzir uma espécie de fase intermédia entre a formulação de uma política urbana e a sua aplicação. Em vez de a avaliação ocorrer apenas depois da implementação de uma medida, os responsáveis pela cidade poderão observar previamente diferentes resultados possíveis e comparar cenários.
Esta capacidade ganha particular relevância quando as decisões envolvem problemas que se sobrepõem, como mobilidade, pressão turística, adaptação às alterações climáticas e qualidade de vida. A lógica do projeto passa, assim, por transformar dados dispersos num instrumento operacional de apoio à decisão pública.
Para os decisores municipais, a principal mudança está na possibilidade de substituir parte da incerteza associada às políticas urbanas por simulações baseadas em evidência antes de as medidas serem colocadas no terreno.
A NOVA IMS considera igualmente que o conhecimento e a tecnologia desenvolvidos no âmbito do NexTCity poderão vir a ser utilizados noutras cidades portuguesas e europeias. Lisboa funciona, nesta primeira fase, como território piloto para uma abordagem que procura demonstrar até que ponto os Gémeos Digitais Urbanos podem tornar-se ferramentas regulares de planeamento e governação.
Financiado pelo programa Horizon Europe, o projeto junta a NOVA IMS, enquanto entidade coordenadora, à KU Leuven, na Bélgica, e à Universitat Jaume I, em Espanha. A Lisboa E-Nova participa no desenvolvimento do projeto piloto na capital portuguesa.
Para além da plataforma aplicada à Zona de Emissões Reduzidas, o NexTCity pretende aprofundar a capacidade científica e tecnológica da NOVA IMS na área dos Gémeos Digitais Urbanos e reforçar a investigação desenvolvida em Portugal neste domínio.
Mais do que criar uma representação virtual de uma parte de Lisboa, o projeto pretende transformar essa representação numa ferramenta de trabalho para quem tem de decidir como a cidade deve evoluir.
A utilização deste tipo de plataformas insere-se ainda nos objetivos do Pacto Ecológico Europeu, da Década Digital Europeia e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. No contexto do NexTCity, essa convergência entre política ambiental, dados e tecnologia passa por uma ideia relativamente simples: compreender melhor os efeitos de uma decisão antes de tornar essa decisão realidade.

