Impulsionar a colaboração para combater o cibercrime

13 de Janeiro, 2026

No último ano, quase 90% das organizações sofreram pelo menos uma violação de segurança. Fatores como a rápida adoção de novas tecnologias e a escassez de talento especializado em cibersegurança têm vindo a aumentar significativamente os níveis de vulnerabilidade. Não existe uma solução única para este problema e nenhuma entidade, por si só, consegue combater eficazmente a cibercriminalidade. A colaboração público-privada torna-se, por si só, essencial.

A Parceria Contra o Cibercrime (PAC) promove a cooperação global entre diferentes sectores e é a entidade responsável pela criação do Atlas do Cibercrime, uma iniciativa que mapeia as atividades de agentes maliciosos e estabelece cadeias de disrupção. Graças a este esforço conjunto, a INTERPOL conseguiu, no último ano, deter mais de 1.000 suspeitos e desmantelar mais de 134.000 infraestruturas maliciosas em 19 países africanos, infraestruturas essas que tinham provocado perdas económicas estimadas em 193 milhões de dólares.

O grupo de investigação associado à iniciativa Atlas do Cibercrime, composto por mais de 20 membros, reúne-se semanalmente para elaborar perfis dos autores das ameaças, analisar informação proveniente de fontes abertas sobre as atividades dos cibercriminosos, correlacionar dados e identificar potenciais pontos de interrupção. Posteriormente, esta informação é organizada em pacotes de inteligência, com o objetivo de apoiar e reforçar os esforços de desmantelamento da cibercriminalidade.

No seu primeiro ano de atividade, os colaboradores do Atlas do Cibercrime partilharam mais de 10.000 dados verificados e acionáveis com a comunidade e apoiaram duas iniciativas transfronteiriças de desarticulação do cibercrime. O grupo desenvolveu ainda sete pacotes completos de inteligência sobre ameaças emergentes, que foram partilhados com as forças de segurança, permitindo transformar os dados em ações concretas. Estes pacotes de informação, resultantes da iniciativa Atlas, contribuíram diretamente para o sucesso da operação liderada pela INTERPOL, que acabou por desmantelar as operações dos atacantes e responsabilizar os adversários pelos seus atos.

Esta iniciativa é um exemplo claro de como as colaborações público-privadas podem ter um impacto real e mensurável na luta contra a cibercriminalidade global. Trabalhar de forma transversal entre sectores e dar prioridade à partilha de inteligência sobre ameaças beneficia toda a comunidade de cibersegurança, tornando-nos coletivamente mais resilientes e eficazes.

Enquanto especialistas em segurança, integramos a colaboração com entidades públicas e privadas no âmbito da nossa responsabilidade corporativa, com o objetivo de unir esforços para construir um mundo mais seguro, sustentável e digno de confiança. Para concretizar esta visão, assumimos o compromisso de enfrentar os riscos de cibersegurança que afetam tanto os nossos clientes como a sociedade em geral.

Dar prioridade à partilha de inteligência fortalece o ecossistema da cibersegurança, uma vez que nenhuma organização detém uma visão completa do panorama de ameaças. A evolução do contexto global exige níveis cada vez mais elevados de colaboração, e está ao nosso alcance, e ao alcance de toda a indústria, somar esforços, conhecimento e capacidades para responder a este desafio comum.

Derek Manky é Chief Security Strategist & Global VP Threat Intelligence da Fortinet

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