A transformação digital sempre teve uma componente tecnológica e outra humana. Com a inteligência artificial a entrar rapidamente nas empresas, a disponibilidade de profissionais com competências adequadas está a ganhar peso nas decisões de investimento e na capacidade de concretizar projetos.
No segundo ano de atividade, a Kyndryl Foundation colaborou com 12 organizações sem fins lucrativos em 11 países. Os programas apoiados pela Fundação envolveram 46.860 formandos e totalizaram mais de 474.400 horas de formação em inteligência artificial, cibersegurança e competências digitais.
Estes números medem sobretudo a dimensão da atividade de capacitação. O relatório apresenta separadamente outro indicador: 529 participantes conseguiram emprego após a participação nos programas de formação.
Os dois valores não devem ser confundidos. A informação divulgada não indica que todos os 46.860 formandos procuravam emprego, nem estabelece uma taxa de colocação profissional para o conjunto dos participantes. Também não permite concluir que os 529 empregos resultaram exclusivamente da formação recebida.
Essa distinção é importante para avaliar iniciativas deste género. Formar pessoas permite aumentar a disponibilidade de competências, mas a empregabilidade depende também de fatores como o perfil dos participantes, a procura das empresas e a existência de oportunidades compatíveis com a preparação adquirida.
Para os CIO, o problema começa precisamente aqui. Uma organização pode ter orçamento para novas plataformas de IA, infraestrutura e serviços de cibersegurança, mas continua a precisar de equipas capazes de integrar essas tecnologias, utilizá-las de forma consistente e proteger os sistemas onde passam a operar.
A escassez de competências pode, por isso, tornar-se um limite à velocidade da transformação tecnológica, mesmo quando existe capacidade de investimento.
Os programas financiados pela Kyndryl Foundation procuram responder a esta realidade através de formação técnica combinada com orientação profissional, mentoria e preparação para o emprego. A atuação inclui mulheres, jovens em situação de vulnerabilidade e comunidades rurais, procurando alargar o acesso a competências tecnológicas a grupos tradicionalmente menos representados no setor.
A cibersegurança é uma das áreas onde esta necessidade se torna mais evidente. Na Europa, a Kyndryl Foundation aderiu ao Cybersecurity Skills Academy Pledge da Comissão Europeia e assumiu o objetivo de disponibilizar formação gratuita em cibersegurança a 25.000 pessoas na União Europeia até 2030.
Para as empresas europeias, a questão deixa assim de ser apenas saber que tecnologia adotar. Passa também por garantir que existem pessoas suficientes, e suficientemente preparadas, para transformar investimento tecnológico em capacidade real dentro das organizações.







