As empresas estão a investir mais em inteligência artificial (IA) e a obter retorno, mas a maioria ainda não conseguiu ultrapassar a fase-piloto dos seus projetos. Esta é uma das principais conclusões da segunda edição do Kyndryl Readiness Report, que inquiriu 3.700 líderes empresariais de 21 países.
Mais de metade das organizações continua limitada pela infraestrutura tecnológica e apenas 29% consideram as suas equipas preparadas para aproveitar o potencial da IA. O relatório da Kyndryl revela um cenário de progresso, mas também de desacerto entre a ambição e a capacidade real para escalar a inovação de forma sustentável.
Apesar de 90% das empresas afirmarem que possuem ferramentas e processos adequados para testar e escalar novas ideias, mais de metade reconhece que a sua base tecnológica representa um obstáculo à inovação. Esta discrepância entre a perceção e a realidade já tinha sido identificada no relatório do ano passado e, embora haja sinais de melhoria, continua a marcar o ritmo da transformação digital nas organizações.
A falta de preparação tecnológica continua a ser um dos principais entraves ao valor transformador da IA, como sublinha o CEO da Kyndryl, Martin Schroeter, citado no estudo. A maioria das empresas admite que os seus colaboradores ainda usam pouco esta tecnologia e que as competências técnicas necessárias continuam escassas.
Tudo em fase-piloto alargada
Mais de metade das empresas (54%) já estão a registar retorno dos seus investimentos em IA, o que representa um crescimento de 12 pontos percentuais em relação a 2024. No entanto, 62% ainda não conseguiram ultrapassar a fase de testes ou projetos-piloto, o que sugere que a aplicação da tecnologia continua, em muitos casos, limitada a iniciativas experimentais.
O investimento médio em IA aumentou 33% em relação ao ano anterior, com 68% das organizações a reportar aplicações significativas. Esta evolução é acompanhada por uma crescente pressão para demonstrar retorno. Três em cada cinco líderes afirmam sentir maior exigência este ano para justificar o retorno sobre os investimentos em IA, sendo a cibersegurança o caso de uso mais comum.
Entretanto a adoção da cloud está a ser reavaliada à luz de novas exigências regulatórias e riscos geopolíticos. Segundo o relatório, 75% dos líderes empresariais manifestam preocupação com a gestão de dados em ambientes de cloud globais, e 65% afirmam já ter ajustado as suas estratégias neste domínio.
Esses ajustes incluem repatriação de dados, substituição de fornecedores e migração para modelos de cloud privada, numa tentativa de responder à crescente fragmentação regulatória e garantir a soberania dos dados. Cerca de 70% dos CEO admitem que a infraestrutura de cloud que têm em vigor surgiu mais por necessidade do que por planeamento estratégico.
“Et voilà”, a escassez de competências e os entraves culturais estão a tornar-se os principais obstáculos à transformação digital, segundo os líderes empresariais inquiridos. Embora 87% considerem que a IA irá transformar completamente as funções nas suas organizações nos próximos 12 meses, apenas 29% acreditam que os seus colaboradores estão realmente preparados.
Além da falta de competências técnicas, persistem desafios ao nível da cultura organizacional, com 48% dos CEO a admitir que as suas empresas limitam a inovação e 45% a reconhecer que os processos de decisão são demasiado lentos.
O relatório identifica ainda um grupo de empresas mais avançadas, denominadas Pacesetters, que investem não apenas em tecnologia, mas também em cultura, capacitação e liderança alinhada. Em comparação com as restantes, estas organizações estão 32% menos expostas a limitações tecnológicas, 30% mais preparadas para novas regulamentações na cloud e 20% menos sujeitas a incidentes de cibersegurança.
Está mais que visto que o sucesso na adoção da IA não depende apenas da tecnologia, mas também da preparação das pessoas e da agilidade organizacional para escalar a inovação de forma segura e sustentável.







