A economia verde mundial representa atualmente um mercado superior a cinco mil milhões de dólares anuais e mantém uma trajetória de crescimento que poderá levá-la aos sete mil milhões até ao final da presente década. Neste contexto de expansão, a recente publicação do relatório sobre as perspetivas dos responsáveis de sustentabilidade, elaborado pelo Fórum Económico Mundial, revela que os responsáveis pelas estratégias empresariais continuam a dar prioridade à adoção tecnológica apesar das atuais tensões internacionais. A recolha dos dados coincidiu, aliás, com perturbações comerciais associadas aos conflitos no estreito de Ormuz e no Médio Oriente. Ainda assim, a maioria dos responsáveis inquiridos acredita que os progressos ambientais se manterão estáveis ou irão acelerar durante o próximo ano, uma perspetiva de investimento igualmente partilhada por três quartos dos profissionais.
O principal fator a impulsionar estes orçamentos assenta, para 74% dos inquiridos, em argumentos estritamente financeiros, aos quais se junta a crescente disponibilidade de ferramentas tecnológicas capazes de apoiar estes objetivos. Os responsáveis da entidade que elaborou o estudo referem que a sustentabilidade empresarial deixou de ser uma simples declaração de intenções para se transformar numa questão de execução prática, estando já integrada nas estratégias de crescimento e de segurança das organizações. Ainda assim, quase oitos em cada dez profissionais reconhecem que os obstáculos macroeconómicos e a instabilidade das políticas internacionais estão a provocar uma fragmentação significativa do mercado. Esta realidade faz com que alguns setores e regiões avancem rapidamente devido à existência de uma clara viabilidade financeira, enquanto outros permanecem estagnados perante a incerteza regulatória ou a falta de apoio dos respetivos órgãos de gestão.
Neste processo de transformação, a inovação digital assume um papel central, embora não isento de contradições. Uma larga maioria dos responsáveis empresariais prevê que a IA funcione como catalisador para melhorar a medição, a elaboração de relatórios e a modelização de riscos no curto prazo. No entanto, a própria tecnologia introduz novos desafios operacionais, uma vez que uma parte significativa dos especialistas alerta para o elevado consumo energético associado às infraestruturas dos centros de dados, instalações que representam atualmente cerca de 1,5% da procura mundial de eletricidade.
Perante estes desafios físicos e de infraestrutura, a adaptação preventiva deverá tornar-se uma das principais prioridades globais durante os próximos três anos, numa área em que o capital privado poderá desempenhar um papel determinante. As entidades especializadas na análise do impacto climático estimam que a gestão proativa dos riscos nas cadeias de abastecimento já permitiu gerar poupanças superiores a 13 mil milhões de dólares, existindo um potencial adicional de benefícios estimado em 175 mil milhões. Vários responsáveis do setor dos materiais industriais defendem que o desafio passa agora por demonstrar a rentabilidade dos investimentos em tecnologia e resiliência com o mesmo rigor aplicado a qualquer outra operação financeira, transformando obrigações regulamentares em potenciais oportunidades de crescimento.
A necessidade de demonstrar o valor económico da preparação para os riscos físicos tornou-se particularmente evidente após os recentes fenómenos meteorológicos extremos. As análises realizadas após os incêndios florestais de Los Angeles, em 2025, indicaram que as seguradoras tiveram de enfrentar pedidos de indemnização superiores a 22 mil milhões de dólares no início de 2026. As avaliações realizadas na sequência destes acontecimentos mostram que a reconstrução das infraestruturas de acordo com padrões de resiliência pode reduzir em cerca de um terço os futuros custos associados a perdas, reforçando o argumento económico que sustenta uma parte significativa do atual investimento tecnológico.







