Despesa global com infraestrutura como serviço otimizada para IA deverá duplicar em 2026

A implementação em escala de produção e a integração de modelos específicos nas operações das organizações estão a impulsionar o investimento na cloud, assinalando um ponto de viragem em que os custos associados à inferência passam a superar, em termos económicos, os encargos com as fases de treino dos algoritmos.
14 de Agosto, 2026

O mercado de infraestrutura como serviço (IaaS) orientada e otimizada para cargas de trabalho de inteligência artificial encontra-se numa fase de forte expansão, segundo a consultora Gartner, que indica que, durante 2025, a despesa mundial neste segmento atingiu 21,529 mil milhões de dólares. Partindo deste valor, as previsões apontam para que a despesa com IaaS otimizada para inteligência artificial registe um crescimento de 96% em 2026, atingindo 42,276 mil milhões de dólares a nível mundial.

Os analistas da consultora atribuem esta evolução à necessidade de adquirir recursos tecnológicos capazes de suportar os complexos processos de treino dos grandes modelos de linguagem e salientam que a rápida implementação de soluções de inteligência artificial nas aplicações e nos fluxos de trabalho empresariais está a acelerar estes investimentos em ambientes cloud.

Como termo de comparação com este segmento tecnológico, importa referir que o mercado global de serviços de infraestrutura (IaaS) deverá crescer a um ritmo mais moderado de 29,3% ao longo deste ano, atingindo um total de 287,347 mil milhões de dólares. Nos próximos anos, a tendência de crescimento deverá manter-se em 2027, com uma subida estimada de 56,5%, elevando o volume deste mercado para 66,143 mil milhões de dólares.

O aspeto mais relevante desta evolução do mercado reside na mudança de paradigma na distribuição dos orçamentos de acordo com a fase de desenvolvimento tecnológico das organizações. Até agora centrado na criação dos próprios algoritmos, em 2026, a despesa destinada à execução ou inferência deverá superar, pela primeira vez, o investimento dedicado ao treino dos modelos.

Em termos concretos, o custo global associado à inferência deverá atingir 23,3 mil milhões de dólares, face aos 19 mil milhões necessários para as tarefas de treino algorítmico. Esta diferença estrutural significa que 55% de todo o orçamento de IaaS destinado à inteligência artificial será utilizado para suportar cargas de inferência durante este ano, uma proporção que os especialistas do setor estimam que aumente para 59% em 2027.

A principal causa desta redistribuição das verbas financeiras reside na expansão da inteligência artificial agêntica, cuja natureza autónoma e capacidade de executar tarefas em várias etapas exigem uma elevada e permanente capacidade de computação.

As empresas começaram a transferir os seus esforços dos laboratórios de desenvolvimento para implementações comerciais em larga escala e, consequentemente, os modelos específicos ajustados às necessidades de cada organização estão a ser integrados nos sistemas empresariais, exigindo uma execução contínua e em tempo real, em vez de processos periódicos de aprendizagem.

É este aumento sustentado do peso das cargas de inferência que está a obrigar os responsáveis pelas tecnologias de informação a repensar estrategicamente as suas prioridades de investimento a médio e longo prazo.

A implementação em escala de produção e a integração de modelos específicos nas operações das organizações estão a impulsionar o investimento na cloud, assinalando um ponto de viragem em que os custos associados à inferência passam a superar, em termos económicos, os encargos com as fases de treino dos algoritmos.

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