A defesa contra drones deixou de poder ser tratada como a simples aquisição de um radar ou de um sistema capaz de neutralizar uma aeronave não tripulada. É precisamente essa ideia de integração que a Indra pretende colocar no centro da sua participação na MSPO, feira de defesa que decorre entre 8 e 11 de setembro, em Kielce, na Polónia.
O contexto escolhido não é indiferente. A Polónia e os países vizinhos enfrentam ameaças e incidentes de natureza híbrida contra infraestruturas críticas, instalações industriais, sistemas de vigilância, fronteiras e espaço aéreo, num cenário marcado pelo apoio da região à Ucrânia perante a agressão russa. A MSPO transforma-se assim numa montra particularmente relevante para tecnologias destinadas a responder a ameaças que já não podem ser analisadas de forma isolada.
A proposta que a Indra vai apresentar assenta num sistema de defesa aérea, antiaérea e antidrone integrado, multicamada e concebido para operar em profundidade. O objetivo é permitir que diferentes sensores, sistemas de comando e meios de resposta funcionem em conjunto, uma arquitetura especialmente relevante perante ataques por saturação, nos quais várias ameaças têm de ser detetadas e neutralizadas praticamente em simultâneo.
No centro desta arquitetura está o AirDef, sistema de comando e controlo de defesa aérea preparado para interoperar com diferentes sensores e sistemas. A ele junta-se a solução C-UAS para combate a drones, que incorpora um centro de comando e controlo e permite integrar os sensores e os meios de neutralização utilizados por cada força militar. A lógica é reduzir a fragmentação tecnológica e fazer com que radares, sistemas antidrone e capacidades de guerra eletrónica possam funcionar como partes da mesma estrutura defensiva.
Esta integração estende-se às estações terrestres de guerra eletrónica de radar e comunicações que a empresa levará também à feira. No conjunto, estas tecnologias são apresentadas pela Indra como elementos capazes de contribuir para uma chamada “muralha de drones” destinada à proteção da fronteira europeia.
A discussão tem igualmente uma dimensão portuguesa. A Indra afirma ter mantido, ao longo dos últimos meses, contactos com as Forças Armadas portuguesas especificamente nas áreas da defesa aérea e dos sistemas antidrone. A informação não permite antecipar decisões ou processos de aquisição, mas mostra que estas capacidades estão também presentes no diálogo da empresa com o mercado de defesa nacional.
Da deteção à proteção das plataformas
A presença da Indra na MSPO não se ficará pelos sistemas de defesa territorial. A empresa irá mostrar o radar de alerta aerotransportado ALR-400 RWR e o InShield DIRCM, sistema de contramedidas por infravermelhos destinado à proteção de aeronaves contra mísseis ar-ar e terra-ar, incluindo MANPADS. A tecnologia já foi instalada no avião de transporte militar A400M e foi concebida para utilização noutras plataformas, incluindo aeronaves de missões especiais como o A330 MRTT.
Outra das tecnologias em exposição será o radar AESA NEMUS, desenvolvido para integração em sistemas antidrone e em sistemas de proteção ativa de veículos terrestres. O sensor foi recentemente selecionado pela Rheinmetall para o sistema StrikeShield, ilustrando uma tendência que atravessa a oferta apresentada pela Indra na Polónia: sensores e plataformas são concebidos para poderem integrar arquiteturas de defesa mais amplas, em vez de funcionarem como soluções autónomas.
A empresa apresentará ainda sistemas de simulação destinados ao treino de pilotos, tripulações de carros de combate e operadores de veículos militares. Esta componente acrescenta outra dimensão à transformação tecnológica da defesa. Sistemas cada vez mais complexos exigem não apenas investimento em equipamento, mas também capacidade para preparar continuamente as equipas que os vão operar.
A participação na MSPO surge igualmente num momento em que a Indra procura reforçar a sua presença industrial na Polónia. A empresa participa em programas estratégicos no país e está envolvida na modernização de bases aéreas com novos radares. Perante o investimento em defesa realizado pela Polónia e por outros países da região, a Indra procura combinar o fornecimento de tecnologia com transferência de conhecimento, desenvolvimento industrial local, projetos conjuntos de investigação e desenvolvimento e criação de capacidades nacionais.
É talvez essa combinação entre tecnologia e capacidade industrial que melhor explica a importância desta edição da MSPO para a empresa. A defesa aérea moderna começa cada vez menos num equipamento isolado e cada vez mais na capacidade de fazer diferentes sistemas trabalharem em conjunto. É nesse espaço, entre sensores, software de comando, guerra eletrónica, defesa antidrone e treino, que a Indra pretende posicionar a sua oferta na Polónia e, potencialmente, noutros mercados europeus.







