Commvault leva recuperação do Azure para além dos dados

As novas capacidades do Cloud Rewind aumentam a cobertura sobre recursos Microsoft Azure e procuram reduzir um dos problemas mais difíceis da recuperação após um incidente: reconstruir não apenas os dados, mas também configurações, infraestrutura e dependências necessárias para voltar a colocar as aplicações em funcionamento.
20 de Agosto, 2026

A Commvault reforçou as capacidades do Cloud Rewind para Microsoft Azure, alargando a proteção e recuperação às configurações e aos recursos que suportam as aplicações empresariais na cloud. A atualização faz com que a plataforma passe a abranger 62% dos tipos de recursos Azure considerados relevantes para as empresas, triplicando a cobertura anterior anunciada pela fabricante.

A mudança traduz uma evolução importante na forma como a recuperação de ambientes cloud está a ser encarada. Num sistema empresarial moderno, restaurar dados pode ser apenas uma parte do problema. Uma aplicação depende frequentemente de serviços, configurações, infraestrutura e relações entre diferentes componentes que precisam de regressar a um estado funcional de forma coordenada.

É precisamente neste ponto que a complexidade da recuperação se torna mais evidente. Reconstruir manualmente estes ambientes implica identificar cada componente, perceber as respetivas dependências e repor configurações, um processo que pode consumir tempo e introduzir erros. O problema torna-se particularmente relevante depois de um ciberataque ou de uma interrupção grave, quando a organização está simultaneamente sob pressão para recuperar a operação.

Segundo dados citados pela Commvault, provenientes do relatório State of Enterprise Cyber Resilience de 2026, da Absolute Security, 57% das empresas afirmam que a recuperação após um ciberataque demora, em média, mais de quatro dias e meio. O tempo de recuperação passa, assim, a depender não apenas da existência de cópias de segurança, mas também da capacidade de reconstruir rapidamente o ambiente tecnológico onde os dados e as aplicações funcionam.

O Cloud Rewind procura automatizar parte desse trabalho através da deteção contínua dos recursos existentes na cloud, do mapeamento das dependências entre aplicações e da coordenação da recuperação de infraestrutura, configurações e serviços associados.

A plataforma permite igualmente realizar simulações de recuperação antes de ocorrer um incidente, incluindo em ambientes isolados e sem ligação à Internet. Para as equipas de TI, esta capacidade permite testar antecipadamente se os procedimentos definidos funcionam e identificar potenciais falhas num momento em que a organização ainda não está condicionada pela pressão de uma interrupção real.

A atualização aprofunda ainda a integração entre cópia de segurança e reconstrução do ambiente cloud. Os chamados grupos de proteção passam a reunir dados das aplicações e configurações da cloud numa única experiência de recuperação isolada. A intenção é reduzir a dependência de vários processos e ferramentas independentes durante uma situação em que a velocidade e a consistência da recuperação são críticas.

Outra alteração incide sobre a proteção baseada em políticas. Os recursos descobertos podem ser incorporados automaticamente de acordo com critérios como etiquetas, região ou tipo de recurso, mesmo quando estão distribuídos por vários ambientes cloud. O objetivo é evitar que as equipas tenham de acrescentar e proteger manualmente cada novo componente.

Para os CIO, CISO e responsáveis por infraestrutura, a questão subjacente vai além da funcionalidade específica de uma plataforma. À medida que as aplicações empresariais passam a depender de arquiteturas cloud com mais componentes interligados, a estratégia de recuperação deixa de poder estar centrada exclusivamente nos dados. Configurações, dependências e infraestrutura tornam-se parte do mesmo problema de continuidade operacional.

É também aqui que a capacidade de testar a recuperação ganha peso. Uma organização pode possuir cópias dos seus dados e, ainda assim, descobrir durante um incidente que não consegue reconstruir suficientemente depressa o ambiente necessário para os utilizar. O verdadeiro teste de uma estratégia de resiliência passa, por isso, pela capacidade de demonstrar antecipadamente que uma aplicação completa pode voltar a funcionar.

A expansão do Cloud Rewind para Azure insere-se nesta mudança de abordagem. Em vez de considerar a recuperação como uma sucessão de tarefas técnicas independentes, procura tratá-la como um processo coordenado que acompanha a própria arquitetura das aplicações. Para as empresas, a diferença pode estar entre possuir uma cópia dos ativos digitais e possuir efetivamente um plano capaz de devolver esses ativos à operação.

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