Análise

IA expõe os limites do Zero Trust

O modelo Zero Trust, baseado no princípio de que nenhum utilizador, dispositivo ou sistema deve beneficiar de confiança implícita, enfrenta um desafio estrutural com a evolução da inteligência artificial agêntica. A abordagem parte da verificação contínua dos acessos e da aplicação de permissões restritas, mas a autonomia crescente dos agentes de IA introduz uma complexidade que não pode ser resolvida apenas através da autenticação e da autorização de cada operação. O problema reside na diferença entre controlar ações individuais e compreender o comportamento global de um sistema. Um agente pode executar uma sequência de operações autorizadas e, ainda assim, produzir
12 de Outubro, 2026

Em 1910 também era preciso controlar a rede

Há uma tendência para olhar para a implantação da República como uma história de militares, revoltas e mudança de regime. Mas, em 1910, já havia outra rede a decidir quem conseguia comunicar, mobilizar forças e fazer chegar uma mensagem ao resto do país. Não era fibra, 5G ou cloud. Eram linhas telegráficas, caminhos-de-ferro, centrais elétricas e jornais. A tecnologia era outra. A dependência das infraestruturas, nem por isso.
5 de Outubro, 2026

IA está a ficar demasiado autónoma para continuar sem regras

À medida que os sistemas de inteligência artificial ganham capacidade para executar tarefas com menor intervenção humana, cresce também a pressão para criar padrões comuns de segurança. Para as empresas, contudo, a questão mais relevante não é quem define essas regras, mas como limitar os riscos quando a IA começa a interferir diretamente nos processos, nos dados e nas decisões.
28 de Setembro, 2026

IA pode ficar mais barata e custar cada vez mais

A inteligência artificial está a entrar nas empresas como uma máquina de produtividade, capaz de automatizar processos, escrever código, analisar documentos e executar tarefas que antes exigiam intervenção humana. Mas há uma tensão económica que começa a tornar-se difícil de ignorar: a IA tem a interface do software, mas depende de uma infraestrutura física intensiva em capital, energia e recursos. Cada utilização exige computação, cada agente multiplica operações e cada ganho de escala aumenta a pressão sobre chips, memória, redes e centros de dados.
15 de Setembro, 2026

Não tenham medo da IA. Tenham medo de quem a controla

A inteligência artificial promete tornar empresas mais produtivas, trabalhadores mais capazes e economias mais eficientes. Pode também transformar um pequeno grupo de fornecedores em intermediários quase inevitáveis entre as empresas e a sua própria capacidade de produzir, decidir e competir. É esta segunda parte da equação, menos espetacular do que os cenários de máquinas fora de controlo, que merece hoje uma atenção muito maior.
14 de Setembro, 2026

Política de IA começa onde acaba o entusiasmo

À medida que a inteligência artificial passa da experimentação para o trabalho quotidiano, as empresas começam a descobrir que escolher ferramentas é apenas a parte mais simples do processo. O verdadeiro problema surge depois, quando é necessário decidir como devem ser utilizadas, que dados podem receber, quem valida os resultados e até que ponto a prometida produtividade compensa o novo trabalho de supervisão criado pela própria tecnologia.
7 de Setembro, 2026

IA: Quando vários modelos falham ao mesmo tempo

As interrupções quase simultâneas registadas ontem 3 de setembro, no ChatGPT, Claude e Grok expuseram uma fragilidade que normalmente fica escondida por detrás da corrida aos modelos de inteligência artificial. Serviços apresentados como concorrentes podem depender de infraestruturas comuns e, à medida que a IA entra nos processos críticos das empresas, essa concentração deixa de ser apenas um problema técnico dos fornecedores. Passa a ser uma questão de arquitetura, continuidade de negócio, custos e investimento nas redes que sustentam uma parte crescente da economia digital.
4 de Setembro, 2026

IA obriga-nos a repensar a infraestrutura digital

O crescimento da inteligência artificial está a tornar visível uma realidade que durante anos permaneceu escondida atrás da ideia de “nuvem”: o digital precisa de energia, água, minerais, centros de dados e redes capazes de suportar uma procura crescente por capacidade computacional. O desafio não está em travar esta evolução, mas em perceber como torná-la economicamente viável, ambientalmente sustentável e socialmente responsável.
2 de Setembro, 2026

Sword Health prepara compra da Headspace e redesenha a sua ambição na saúde digital

A eventual aquisição da Headspace por um valor entre 200 e 300 milhões de dólares é muito mais do que mais uma operação de consolidação no mercado da saúde digital. A Sword Health pode passar de uma empresa construída em torno da fisioterapia digital para uma plataforma onde saúde física, saúde mental, prestação clínica remota e inteligência artificial começam a fazer parte de uma mesma estratégia.
28 de Agosto, 2026

Não devemos discutir a IA apenas como tecnologia

Bill Gates olha para a inteligência artificial com uma mistura de expectativa e preocupação. Num longo ensaio publicado no seu site pessoal, reconhece o potencial da tecnologia para transformar áreas como a saúde, a agricultura e o trabalho, mas alerta para uma evolução que está a acontecer mais depressa do que a capacidade de governos, empresas e sociedade para estabelecer regras e perceber as consequências. Na sua leitura, a questão deixou de ser apenas tecnológica. Passou a ser económica, social e, inevitavelmente, política.
27 de Agosto, 2026

IA como instrumento geopolítico

Os Estados Unidos preparam-se para condicionar a participação de dezenas de países nas suas iniciativas internacionais de inteligência artificial à compatibilidade com o seu próprio ecossistema tecnológico. Mais do que uma disputa entre duas potências, o movimento revela uma transformação estrutural: semicondutores, minerais críticos, modelos de IA e cadeias de abastecimento começam a fazer parte da mesma equação económica e estratégica.
18 de Agosto, 2026

Meo está a cortar custos, mas o verdadeiro teste vem depois

Poupar 45 milhões de euros por ano com a saída de mais de mil trabalhadores é um resultado fácil de colocar numa folha de cálculo. Muito mais difícil será perceber se a Meo consegue retirar pessoas e custos da organização sem perder conhecimento, capacidade tecnológica e qualidade operacional. É aí, e não apenas na dimensão da poupança, que se joga o sucesso da reestruturação.
11 de Agosto, 2026

A soberania digital começa onde termina a confiança

As alterações no equilíbrio institucional dos Estados Unidos voltaram a expor uma fragilidade estrutural das estratégias europeias de cloud. A conformidade jurídica pode depender de garantias políticas, autoridades estrangeiras e interpretações legais que as empresas não controlam. Para os decisores tecnológicos, a questão deixa de ser apenas onde estão os dados e passa a ser quem controla a infraestrutura, sob que jurisdição e com que capacidade de demonstrar resiliência.
29 de Julho, 2026
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Opinião