Adeus Skype nunca te esquecerei

O Skype vai tocar pela última vez a 5 de maio. Depois de mais de duas décadas de serviço, a Microsoft vai encerrar definitivamente a icónica plataforma de chamadas por internet, que durante 2005 e 20017 foi fundamental para mim, para muitos que comigo trabalharam. É a primeira vez que sinto alguma emoção com o encerramento de uma plataforma informática.
28 de Fevereiro, 2025

É verdade, no decorrer dos meus seis anos de Brasil foi o Skype que fez com que estivesse ao lado do meu filho sempre que ele queria uma história para dormir, e nos seus primeiros quatro anos, foi via Skype que lhe cantei os parabéns, talvez por isso ou só por isso, sinto alguma emoção com este fim.

O Skype foi criado em 2003 por Niklas Zennström e Janus Friis, os mesmos fundadores do Kazaa, um dos primeiros programas de partilha de ficheiros. Desenvolvido por engenheiros na Estónia, o Skype trouxe uma revolução às comunicações, tornando-se sinónimo de chamadas por internet, especialmente em um momento em que as ligações internacionais eram caras. Rapidamente, ganhou centenas de milhões de utilizadores, ameaçando a indústria das telecomunicações tradicionais.

Em 2005, o eBay adquiriu a plataforma por 2,6 mil milhões de dólares, mas não conseguiu transformar o seu sucesso em receita sustentável. Em 2011, a Microsoft comprou o Skype por 8,5 mil milhões de dólares, vencendo uma acirrada disputa contra Google e Facebook. Na época, o Skype possuía cerca de 150 milhões de utilizadores mensais.

Porém, nos anos seguintes, a plataforma perdeu terreno para concorrentes como WhatsApp, FaceTime, Slack e, mais recentemente, Zoom. Apesar de um breve ressurgimento durante a pandemia de 2020, os seus utilizadores mensais caíram para 23 milhões, um declínio acentuado que mostrou a dificuldade da Microsoft em revitalizar a marca.

A prioridade da Microsoft: Teams assume o comando

A decisão de descontinuar o Skype insere-se num padrão de apostas tecnológicas da Microsoft que perderam relevância ao longo do tempo. O Internet Explorer, outrora o navegador web dominante, foi descontinuado em 2022 a favor do Microsoft Edge. O Windows Phone, uma tentativa fracassada de competir com Android e iOS, também foi abandonado após anos de insucesso. No entanto, a Microsoft garante que não haverá cortes de empregos com o fim do Skype.

Atualmente, a Microsoft concentra os seus esforços no Teams, um serviço de comunicação empresarial que já soma cerca de 320 milhões de utilizadores ativos por mês. A empresa acredita que a racionalização dos seus serviços de comunicação permitirá um foco mais claro na integração e melhoria do Teams, posicionado como a principal plataforma de colaboração para empresas e organizações.

O encerramento do Skype é um marco simbólico na evolução das comunicações digitais. O software, que outrora ditou a forma como as pessoas ligavam-se à distância, sucumbe agora à competição feroz e à mudança das preferências dos utilizadores. A 5 de maio, o Skype fará a sua última chamada – e, com ele, encerrar-se-á um dos mais icônicos capítulos da história da internet.

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